domingo, 22 de março de 2015

Perdendo o sentido





As pessoas falam que quando estamos apaixonados sentimos aquelas famosas “borboletas no estomago”, mas no meu caso acho que as borboletas vieram parar na garganta, pois eu não conseguia falar nada. Era como se parte de mim estivesse num transe inconsciente. Meus olhos estavam fixos no belo par de olhos castanhos do homem sedutor a minha frente.

- Amby? – a voz de Trace soou vindo do meu lado direito, o que me deu um susto e um pouco de raiva, pois não queria parar de olhá-lo.

- Sim. – eu disse mudando o foco para Trace parado ao meu lado sem entender o espanto.

- Você o conhece?

Eu não podia simplesmente falar a Trace que eu o conhecia e que poderia estar me sentindo, talvez, desconfortavelmente atraída por ele. Até mesmo porque eu sabendo como era ele e como funcionava tudo isso, Trace iria falar que eu não poderia fazer o programa com Dustin pelo fato de não criar laços afetivos.

- Não, claro que não. – menti franzindo a testa olhando diretamente em seus olhos acinzentados curiosos.

Pude sentir um olhar interrogativo vindo da direção do meu cliente ali parado a minha frente, mas não ousei desviar o olhar, não queria que minha pequena mentira falhasse.

- Ótimo, agora vá querida, cada minuto é dinheiro que eu perco. – Ele sorriu para mim.

- Certo. – estiquei os lábios.

Voltei o olhar para meu cliente charmoso e cheiroso.

- Vamos?

Ele apenas assentiu, parecia ele um tanto assustado. Também ficaria se descobrisse que eu era o que era. 
Uma decepção me tomou conta, mas a espantei, não queria que nada me atrapalhasse porque pela primeira 
vez eu ia fazer um sexo prazeroso, se bobear o melhor que já fiz.

Estiquei a mão para Dustin que por sua vez a pegou com gentileza demonstrando sutilmente um pouco de avareza.  Passamos por algumas pessoas, até por Melanie que estava no palco hoje rebolando e descendo até o chão. Olhei de soslaio para Dustin que mantinha o olhar permanente na minha nuca.

Finalmente chegamos aos corredores dos quartos, que estavam bem silenciosos. Estávamos andando pelo corredor, perto do numero que meu cliente tinha preso em sua regata, senti um movimento no meu braço, o que me fez girar e fitar seus olhos sedentos. Sorri maliciosamente, enquanto seus olhos se fixavam na minha boca.

- Você quer me beijar?

- Você não faz idéia.

Dei de ombros e ele entendeu a deixa. Seus lábios tocaram os meus. Todo meu corpo se energizou. Sua boca era macia e sua língua calmamente procurava a minha. Minhas mãos estavam envoltas em seu pescoço e as dele na minha cintura.

- Vamos para o quarto. – falei em meios aos beijos.

Quando fui me afastar para irmos ao quarto ele me pressionou mais forte contra seu corpo e apalpando minha bunda para me pegar no colo. Fiquei surpresa, nunca fizeram isso comigo, mas estou gostando. Abri a perna enroscando-a em sua cintura. Suas mãos grossas ainda estavam em minha bunda, mas seus lábios agora estavam em meu pescoço e a medida que nos aproximávamos do quarto ele foi intensificando seus beijos e mordiscando meu pescoço. “Que sensação gostosa!” exclamei comigo mesma.

Dustin empurrou a porta do quarto, que estava destrancada, fechando-a com o calcanhar. Eu ainda estava no seu colo, com meu corpo tensionado e gritando por ele. Foi quando ele me colocou gentilmente na cama, analisando toda a extensão do meu corpo. Aquilo me deixava com mais vontade que tudo. Mordi o lábio inferior, chamando sua atenção para minha boca, olhei em seus olhos e vi que ele estava do mesmo modo que eu.

Meu cliente não perdeu tempo e veio para cima de mim, senti seu corpo colar ao meu, meus sentidos se perderam nesse momento. Eu já não tinha mais noção de que eu estava trabalhando.

Ele tirou minha blusa enquanto seus lábios beijavam meu pescoço me deixando cada vez mais excitada, eu arranhava suas costas levemente por cima do pano fino de sua regata. Deixando-me sem blusa, ou melhor, top. Dustin desceu os beijos pelo meu colo, deixando um rastro molhado com sua língua, aquilo era de dar arrepio, com uma mão ele trilhava um caminho começando da minha barriga chegando até meu seio esquerdo, onde ele o agarrou, apertando-o, com tamanha precisão. Minha respiração já estava um tanto ritmada, minha barriga subia e descia a cada toque dele.  Um sorriso de pura malicia lhe escapou pelos lábios, sem delongas, meu cliente abocanhou o outro. Foi ai que fiquei louca de excitação por aquele homem.

Em todas as minhas transas quem controlava tudo era sempre eu, mas desta vez Dustin está controlando toda a situação, eu estou apenas o acompanhando, como se fosse uma dança em que nossos corpos se conectavam de forma exuberante.

Tudo o que eu conseguia me concentrar era naquele par de mãos vagando por todo meu corpo. A essa altura eu estava completamente nua e ele apenas de Box. Definitivamente aquele homem era um deus grego, pois suas feições eram perfeitas. Seu abdômen não era definido exageradamente, mas de forma sensual, seus braços eram musculosos o suficiente para me pegar com força.

Enquanto sua boca mais uma vez avançava por meu corpo, eu mantinha os olhos fechados para sentir cada 
movimento da sua língua sob a pele desnuda da minha barriga e descendo passando por minha virilha parando na minha vagina. Quanto mais ele a chupava mais eu me contorcia. Não demorou muito para que eu gozasse pela primeira vez.  Eu me contorcia, não conseguia mais conter o tesão por todo meu corpo. Eu precisava daquele homem dentro de mim imediatamente. Gemi o mais forte que pude, falando seu nome. Ele entendeu minha suplica e imediatamente lançou sua Box por cima de sua cabeça, finalmente me penetrando. 
Ele começou de vagar, e a cada estocada que ele me dava gemia baixo, depois ele foi aumentando a pressão e neste instante eu já estava gritando.

Não demorou muito para ele gozar, quando aconteceu ele deitou ao meu lado, passando a mão pela minha barriga suja com seu gozo.

- Vem, vamos limpar isso. – disse ele se levantando, totalmente e completamente nu, mas ele agia como se 
isso fosse normal. Eu ri dele. – De que você ta rindo?

- De você.

- De mim? – ele arqueou uma sobrancelha, virando para mim.

Eu ainda estava deitada na cama e ele a minha frente.

- Sim, o jeito como você está me tratando. É só algo novo para mim.

- E como eu deveria te tratar?

- Não sei – dei de ombros.

Ele riu.

- Agora venha baby, vamos tirar essa coisa da sua barriga. – ele me pegou no colo, como um casal quando 
acaba de se casar.

“Baby” meu coração acelerou ao ouvir aquele apelido. O que estava acontecendo comigo? Era só mais um cliente.

Ele me soltou com delicadeza a sua frente, para que eu abrisse a porta. Adentramos no pequeno banheiro da suíte, ele me virou para olhar em meus olhos.

- Você não precisa disso, sabe né? – ele disse com toda sinceridade.

- É mais complicado do que você imagina.

- Pode ser, mas de uma coisa tenho certeza. Você não é feliz, não com essa vida.

- Virou psicólogo agora? – me virei e entrei no chuveiro. O liguei e comecei a me molhar, enquanto ele só 
me olhava. Depois de alguns segundos o mesmo deu alguns passos e entrou no chuveiro junto comigo. – O que você  está fazendo aqui?

- Se não quiser é só falar não. – ele beijou meu pescoço, fechei os olhos e lembrei-me que ele era um cliente e aquilo não estava incluso.

- Para Dustin, isso não está incluso. - minha boca falava não, mas meu corpo implorava para que ele permanecesse ali.

Ele engoliu a seco e saiu, indo para o quarto.

Tudo o que eu queria era socar a parede. Por que ele está fazendo essa revira volta na minha vida? Que merda! Ele não tem permissão pra isso.

Já tenho problemas demais e tenho Jake, que querendo ou não, ainda é meu namorado. Respirei fundo e sai da ducha, enrolei-me na toalha e fui para o quarto.

O quarto estava vazio. Aquilo me deu um arrepio negativo, olhei para a cama e vi um pedaço de papel. Era uma pequena carta.

“ Amberly, você faz amor como ninguém, algo naquele sexo me viciou, talvez você tenha me dado algum tipo de droga, não sei, mas sei que irei querer mais.
Dustin.”

*************************************
Continuaaa.....

sexta-feira, 6 de março de 2015

Vontades




Havia pessoas que estavam visivelmente atordoados, outros queriam preencher o vazio com bebidas e sexo, alguns queriam o dinheiro que estava exposto no canto de cada mesa pôquer. Eu já estou pronta para entrar em ação e começar a procurar Trace.

Com os olhos atentos a cada pista que eu pudesse ter de onde estaria meu chefe. Andei pelo saguão em direção a uma mesa de apostas na ala sete, apoiei-me na mesma deixando quase metade dos meus seios a mostra. Um homem de cabelo loiro e olhos azuis não paravam de me olhar, se eu fosse inocente nunca desconfiaria no que aqueles olhos azuis queriam dizer.

- Boa noite, cavalheiros! - falei assumindo um tom totalmente profissional e sexy.

- Boa noite gracinha. - disse um homem mais velho, devia ter seus quarenta anos.

Sorri em resposta.

- Vocês por acaso viram o Trace? O dono disso tudo? - Os olhos do loiro a minha esquerda não perdiam nenhum movimento meu.

O vi se remexer na cadeira para tentar dispersar sua ereção, o que já estava bem visível. Evitei olhar para baixo da mesa e foquei bem seus olhos azuis.

- Tá nervoso querido? - falei me inclinando ainda mais na mesa, por um momento pensei que meu top fosse rasgar.

- Por que a pergunta docinho? - falou ele inclinando para mais perto de mim, eu podia sentir sua respiração quente e quase ofegante.

- Ótimo. - sorri me afastando. - Mas voltando, vocês viram Trace?

- Sim, ele estava conversando com um homem alto de cabelo meio loiro e meio castanho.

- Obrigada Cavalheiros.

- Espere. - Falou o mesmo homem de olhos azuis.

- Sim?

- Quanto você cobra para ser minha por uma noite?

- Converse com Trace, e então ele dirá meu valor.

Saí um pouco confiante demais, com um sorriso sedutor inabalável no rosto. Alguns homens bêbados agarraram meu pulso, mas nada com que eu já não estivesse acostumada. Continuei meu caminho atrás de Trace, mas parei quando o vi entrar. Ele era alto, com olhos brilhantes e castanhos, vestia uma regata branca com uma jaqueta de couro por cima e jeans. Sorri ao vê-lo. Nunca esqueceria aqueles olhos com tanta facilidade.

Droga! O que ele está fazendo aqui? Ai que pergunta imbecil, ele é homem e homens gostam de sexo e apostas. Mas ele não pode me ver assim. Merda, merda, merda. Espere eu estou mesmo preocupada com o que ele vai achar quando me vir? Já saí com tantos caras que já perdi a conta e ele é apenas mais um em busca de prazer sexual. E além do mais, eu tenho namorado.

Continuei andando como se não o tivesse visto, mas era inevitável olhar a cada oportunidade. Olhei ao meu redor e finalmente encontrei os cabelos grisalhos que eu procurava, era Trace.

Ele era um tanto charmoso e elegante para um coroa. Com cabelos grisalhos fazendo um montinho no topo de sua cabeça, um sorriso largo que exibia uma pequena covinha do lado esquerdo do rosto, mostrando dentes perfeitos brancos. Seus olhos eram cinza e exuberantes. Se eu não o conhecesse tão bem, poderia até afirmar que seria um perfeito homem para apenas uma mulher e ser amado por ela um dia.
Trace estava conversando com um velho, me suponho que seja negócio de trabalho. Aproximei-me e sem hesitar passei meus braços finos e longos pelo pescoço do coroa charmoso que estava sentado. Ele me olhou curioso.

- Aí está você minha querida. – sua voz era um tanto grave e rouca, o que complementava charme.

Sorri olhando seus olhos cinza.

- Oi Trace. – falei sentando em seu colo. – Quero falar com você.

- Também preciso falar com você menina. – Ele olhou para o velho a sua frente que estava mudo como um morto. – Se você me dá licença, tenho que resolver uma questão.

Ele acenou com a cabeça em resposta. Coloquei-me de pé e Trace o mesmo fez. Ergui o olhar e o vi novamente, só que dessa vez seus olhos encontravam os meus como a vez que fui para a Torre Eiffel com Jake, meu cérebro vacilou. De repente esqueci-me de tudo e me envolvi naqueles olhos expressivos e brilhantes. Quando me dei conta de que ele estava vindo em minha direção. Senti meus músculos ficarem rígidos e uma tensão formar na parte inferior do meu corpo. Ele mudou a direção do olhar para Trace, o que me fez ficar mais nervosa ainda.

- Olá senhor. – falou ele perto o bastante para eu sentir seu perfume doce. Fechei os olhos gravando aquele cheiro e pensando em mil jeitos de como ser consumida por aquela fragrância, e devo assumir que meus jeitos eram totalmente insanos.

- Olá rapaz. – falou Trace olhando-o de cima a baixo.

- Me pediram para vir falar com você. Trata-se das meninas.

- Ok. – os olhos de Trace se acenderam. – Amberly, querida, espere ali que já conversamos.

Assenti e sai.

Droga! Ele queria ficar com uma das garotas essa noite. Uma pontada me pegou de surpresa fazendo-me apoiar no balcão de bebidas. Carry trabalhava no bar e dava um duro, principalmente para tentar explicar aos homens do lugar que ela não era uma puta. Observei-a pegar as bebidas e acertá-las nos copos todos ao mesmo tempo sem desperdiçar nada, ela era boa nisso.

- Oi gata. – Carry disse aproximando de mim.

- Oi. – falei sem entusiasmo.

- Que gato é aquele conversando com nosso chefinho? – ela ergueu o queixo em direção a Dustin enquanto
esfregava o copo com um pedaço de pano considerável branco.

- Um homem qualquer. – dei de ombros.

- Pode ser, mas ele é gostoso. Nesses momentos que eu acho vocês um tanto sortudas por poderem pegar um deus grego desse.

Aquilo me deu nos nervos, como ela estava falando dele assim? Na minha frente?

- É.

- Você ta bem? – ela analisou meu rosto sério e sem humor. – Como dizia meu poeta favorito, Vinicius de
Moraes, “O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado.” Pegue um uísque por conta da casa. – sem me dar tempo de responder ela saiu de perto, pegando uma dose de uísque e entregando-a mim. – Tome e divirta-se.

- Obrigada. – falei pegando o pequeno copo que se acomodava na almofada da minha mão e o levei à boca. Tinha um gosto amargo, mas era bom.

- Olha quem está vindo Amberly. – Carry disse e saiu de perto.

Virei-me e vi Trace vindo em minha direção.

- Oi minha menina.

- Trace.

- Acho que nossa conversa vai ter que ficar para mais tarde, pois o jovem ali mostrou bastante interesse em você. – meu coração acelerou. – E ele quer passar uma hora com você.

- Comigo? – não me preocupei em esconder meu entusiasmo.

- Sim. Agora vá lá e me faça lucrar. – assenti passando por seu lado, onde ele deu um tapinha de “boa sorte” na minha bunda.

Retomei o ar e fui até meu cliente. E pela primeira vez na minha vida, pude sentir o que todos sentiam quando faziam sexo. Aquela conexão de corpos, atração física, vontade e um sentimento que pode ser denominado como paixão.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Medo



Calei-me completamente, apenas a observando. Na verdade eu ainda estava digerindo suas palavras e tentando compreender o motivo de tanta raiva. Seus olhos minutos atrás exalavam desespero, mas os evitei. Eu estava de costas para Melane, mas ainda era possível sentir seus olhos me envolverem.  Enquanto eu trocava minhas roupas casuais por uma saia de dois palmos e um top, vi um vulto correndo passando para o banheiro. Rapidamente virei à cabeça, "o que estaria acontecendo?" Por mais que eu não quisesse me intrometer, eu ainda me importava com essas meninas. Joguei a toalha no chão e corri ao lugar onde ela entrou, cheguei à porta e a vi de joelhos debruçada na privada.

- MELANE, MEU DEUS! – eu falei assustada. Virei para pegar mais papel e dirigi-me a ela ficando em sua altura. – Pegue.

- Não preciso da sua ajuda, saí daqui! – ela falou desesperada, mas havia mais medo do que qualquer outra coisa.

- Para de ser tão orgulhosa garota! Só quero te ajudar.

Ela me olhou com os olhos envergonhados aceitando o papel que eu ainda segurava, depois de limpar seus lábios e o queixo ela sentou-se no chão olhando o vácuo entre nós. Então seus olhos falaram por si só, em um instante todo seu rosto estava inundado por lagrimas continuas e quentes.

Franzi o cenho tentando compreender o que estava acontecendo, e como um flash de luz me veio à tona o que realmente ocorrera.

- Você está grávida! – minha voz estava mais baixa que o normal. Eu não podia acreditar em tal situação.

Ela simplesmente me fitou em meio as lagrimas, quando eu olhei em seus olhos ela franziu os lábios e chorou mais ainda. Ela não precisava responder para se saber que de fato era essa a verdade. Passei meus braços em seus ombros, que subiam e desciam conforme sua respiração, trazendo-a para mais perto de mim.

  
Agora eu compreendia tal sentimento, ela estava com medo. Enquanto eu a abraçava forte ela se acalmava, então esperei até que sua respiração estivesse mais controlada e seu rosto mais seco.

- Melane? - falei baixo.

- Hum.

- Quer me contar o que realmente aconteceu? - Tentei escolher cuidadosamente minhas palavras.

- Não sei se devo confiar em você - ela se afastou um pouco de mim recolhendo os braços envolvendo-os em volta de sua barriga.

- Eu não vou contar a ninguém, só quero tentar te ajudar. 

- Nem mesmo a Trace?

- Muito menos a Trace, eu sei o que ele faria com você se soubesse.

Se ele soubesse com toda certeza iria bani-la, humilhá-la e até poderia fazer algo com o bebê. Já o vi fazer isso com algumas garotas, e encontrei elas semanas depois mortas a poucos metros do cassino.

- Bom. - ela começou. - a três semanas atrás apareceu um homem lindo e ele quis passar algumas horas comigo então Chad me chamou e me entregou a ele. - ela suspirou - já estávamos no quarto, eu estava me despindo quando ele me agarrou brutalmente empurrando-me contra a parede, no entanto que bati a cabeça na parede e tombei pro lado. Senti ele me jogando na cama de forma esquisita, como se fosse me matar e veio subindo em cima de mim, ele levantou minha saia e então penetrou, mas muito forte eu pensei que eu ia explodir, ao invés de sentir prazer ele estava me machucando, comecei a pedir para ele parar e nada, quando senti ele gozar dentro de mim. Eu entrei em pânico e o chutei na virilha e quando ele tombou para o lado eu sai correndo tapando os seios e abaixando a saia, entrei no banheiro e comecei a chorar. - ela voltou a me olhar nos olhos -  Pensei que não tinha sido nada, mas se passaram quatro dias e eu comecei a sentir enjoo, decidi ir ao médico tirar sangue já que tenho tendencia a isso, quando peguei os resultados vi que eu estava grávida, e o que eu tanto temia aconteceu. - ela apertou mais a barriga.

Engoli a seco, eu não estava acreditando que além dela estar grávida a mesma foi violentada.

- Meu Deus! - foi a única coisa que consegui pôr para fora.

- Agora você entende?

- Com toda certeza, Melane não vou deixar Trace saber disso e nem fazer nada com você. Eu sei o que ele faria com você!

- Estou com medo Amberly. - ela explodiu em soluços e mais choros.

- Eu sei. - a abracei novamente. 

Estávamos sentadas no chão do banheiro. Eu não podia deixá-la assim, ela não podia transar com mais ninguém, ela deveria descansar. Trace ao menos poderia lhe dar umas férias, ou sei lá. Isso! Vou falar com ele sobre isso.

- Tive uma ideia.

- Que ideia?

- Irei falar com Trace que você precisa de repouso.

- Mas você me prometeu que não iria me entregar!

- E não vou, irei inventar alguma coisa e sei muito bem como convencê-lo.

Ela me olhou tremula e eu me levantei, e falei que ela precisava sair dali, senão iriam dar conta do seu sumiço. Ela me ouviu e saiu, fui logo atrás dela, só que com o foco em Trace.

Cheguei ao salão principal, Trace já não estava mais lá. Droga! Já estava a noite e o cassino começou a lotar, homens e mulheres passeando pelo carpete vermelho sangue, exalando luxuria e dinheiro, homens com olhos sedentos e focados por grana e jogos, outros pediam sexo.

E mais uma vez meu trabalho vai começar, é melhor eu entrar no personagem antes que eu estrague tudo.



Continua... Espero que gostem *---*

domingo, 23 de novembro de 2014

Jake






À medida que a noite caía  Jake sendo um perfeito cavalheiro tudo estava agradável e romântico. Ele tinha a mão pousada, agora, em meu ombro apontando as estrelas com a outra mão. Podia ouvir sua voz, mas ao mesmo tempo não o compreendia. Na verdade só ouvi a seguinte frase: " nenhuma delas se compara a você", Jake era fofo na maior parte do tempo. 

*****

Já eram quase sete da manhã quando senti um vento forte beijar meu rosto, não foi muito, mas o suficiente para me despertar. Virei-me e vi Jake ainda adormecido, na verdade parecia um gatinho dormindo de tão fofo. Suspirei piscando os olhos algumas vezes antes de levantar. Arrastei-me ate o banheiro indo direto para o chuveiro, meu corpo se sentiu desconfortável com o toque gelado da água fazendo o mesmo ter um calafrio involuntariamente.
Não demorou muito para eu despertar e sair do banheiro, eu ja estava enrolada na toalha de frente para a cômoda, quando senti uma pressão na parte de trás do meu corpo, tinha um par de mãos envoltas á minha cintura e o cheiro de loção de barbear foi de encontro com meu nariz. Não me preocupei, pois sabia quem era. 

- Preciso dormir aqui mais vezes. - sua voz falhada e sexy.
 


- Ah é e por quê? - me virei para ele.


- Voltar para o quarto e ver você desse jeito, - ele me olhou de cima a baixo- realmente vale a pena.


Meus lábios se curvaram formando um sorriso malicioso, o que provavelmente despertou mais abruptamente sua atenção em mim. O espaço que nos separava já não existia mais, seu corpo estava rígido sob o meu eu estava respirando o mesmo ar de Jake. Nossos olhos se encontraram por tempo suficiente para eu entender sua  mensagem, que mais parecia um código. Suas mãos passavam por minhas costas, enquanto uma subia parando em minha nuca a outra tomava o sentido oposto parando exatamente um palmo da minha bunda. Pude sentir uma energia subir em minha espinha. Suspirei. 

- Jake!? - minha voz falhara. - Preciso ir!

- Fica mais um pouco. 

- Não posso, tenho que trabalhar. 

- Eu te levo depois Amby. 

- NÃO! - minha voz soou mais nervosa que eu desejava. - quero dizer, não vou te incomodar por algo que posso fazer eu mesma. 

Sem mais delongas eu me virei, mas o senti segurar meu cotovelo e me girar. Lançando um beijo demorado em meus lábios. 

- Agora sim, bom trabalho amor. 

Sorri e sai. 

A rua estava bem movimentada, mas não demorou muito e peguei o ônibus. Me acomodei relaxando meus músculos ainda energizados e joguei a cabeça para trás, foi quando meus pensamentos vieram sem ao menos me pedir licença, "NÃO É JUSTO COM JAKE" era só isso que me vinha, eu sabia que não era, mas não ter Jake significa não ter mais nada e muito menos uma idéia de família. Depois da morte da minha mãe eu me achei perdida dentro de mim mesma, e pior eu estava com um vazio horrível em meu peito. Ela era a única que sempre estivera ao meu lado e que jamais me julgaria. Se ao menos eu pudesse achar onde ela fora enterrada, acho que poderia me desculpar e então liberar sua alma ou simplesmente me livrar de uma porcentagem da culpa, por mais pequena que fosse. Uma bruta freada me tirou de meus pensamentos bem a tempo de uma lágrima escorrer em meu rosto. 

Finalmente cheguei a Fênix, as portas estavam abertas, e parecia movimentado demais para o inicio do dia, cheguei mais perto do salão, onde tinha os shows noturnos, encontrando Trace e um engravatado de expressão dura conversando. Ele me viu e piscou para mim, eu apenas estiquei os lábios e ele então voltou a sua conversa. Observei mais um pouco me encostando-se ao balcão. 

- Não creio que se o chefe a visse prestando atenção em sua conversa ficaria contente. - a voz de Chad soou na parte de trás dos meus ouvidos, o que me fez pular de susto. 

Me virei para encará-lo. 

- Até onde eu me lembro deixei claro que queria você longe de mim. - falei de forma áspera. 

- Você me respeite garota ainda sou seu supervisor. Agora vá se trocar e colocar esse corpo a mostra.

Revirei os olhos, odiava quando Chad queria fazer o papel que não é dele. Mas me virei e fui para o camarim. Não queria uma cena agora cedo.

Abri a porta e vi uma menina sentada segurando a barriga, ela havia sido mandada para cá duas semanas depois que eu. Qual era mesmo seu nome? Milena? Mirela? Melane? Isso, Melane.

- Está tudo bem? – me aproximei.
.
- Sim estou bem.  – ela forçou um sorriso.

Uma das coisas boas que eu aprendi aqui dentro era saber quando alguém tivesse mentindo e de fato esta garota estava.

- Melane, certo?

Ela assentiu me olhando.

- O que realmente está acontecendo? Talvez eu possa te ajudar.

- Você? A queridinha de Trace? Corta essa Amberly.

Que droga! Por que vivem me lembrando sobre a adoração de Trace por mim?

- Tenho motivos para não lhe ajudar? – perguntei controlando-me.

- Não sei. Diga-me você.

- Vamos, deixe-me ajudar você.

- Não confio em você.
Meu corpo ficou pesado.  Era por isso que as outras garotas não falavam comigo? Por eu ser a protegida de Trace e não elas? Por que mesmo ele havia me escolhido?

Suspirei olhando fixamente em seus olhos, que eram negros e pareciam pegar fogo. Ela desviou o olhar pegando uma garrafa de vinho barato colando a boca no bico virando-a para cima, dando um gole em tanto. 


“não se pode ser boa com quem não quer ajuda” minha consciência tentava me confortar. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Saindo Da Toca




O céu era sempre tão azul em Vegas que até parecia cena de filme hollywoodiano. Ainda era cedo, mas não o suficiente para ter visto Jake sair de casa e lhe dar um beijo de boa sorte.

Finalmente me livrei das cobertas e fui para o banheiro.  Olhei o espelho, que ultimamente parecia estar em um duelo pessoal contra mim, mas para minha surpresa tinha um bilhete. Sorri ao reconhecer a caligrafia.

“Torre Eiffel hoje minha dorminhoca, me encontre lá embaixo ás 19h30. Não se atrase.
Com amor, Jake”

Jake podia ter todos os defeitos do mundo, mas ainda sim era um homem maravilhoso e eu me sinto culpada por estar omitindo uma grande parte de mim, ele não merece ser enganado desse jeito! Mas eu não consigo reunir forças para lhe contar sobre quem é a verdadeira Amberly, sei que estou sendo egoísta e um pouco manipuladora, mas não quero e nem consigo ficar sozinha agora já que lembranças decidiram me importunar e pelo jeito vai demorar ate elas me deixarem em paz. Suspirei e me forcei a concentrar em escovar os dentes e tomar um banho frio naquela manhã de verão.

Depois de longos minutos resolvi que já era hora de sair do chuveiro, mas minha barriga compreendia que estava na hora de comer. Enrolei-me na toalha preta, que combinava com todo o resto do banheiro, com os pés descalços em direção a geladeira, ao abri-la vi o resto do almoço do dia anterior revirei os olhos, e pelo visto não foram apenas meus olhos que revirou, mas meu estômago também. Tirei a caixa de leite e para minha sorte encontrei uma barra de chocolate que havia faltando apenas dois quadradinhos, Jake provavelmente teria comprado pra mim, porém aquele chocólatra não agüentou e atacou dois quadradinhos. Ri. Peguei o resto da barra e fui para o quarto segurando com uma mão a toalha e com a outra o chocolate.

Joguei tudo em cima da cama trocando a toalha por um sutiã e uma calcinha vermelha e por cima calça jeans escura quase preta, uma blusa branca dos Beatles e uma sapatilha preta. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo, passei base no rosto enquanto dava pequenos espaços para saborear o chocolate, e foi assim até eu terminar a maquiagem ou até o chocolate acabar.

Me olhei no espelho realmente feliz com o resultado e dentro de mim acendeu uma pontinha de esperança, uma esperança de que as coisas podiam mudar, de que o destino tinha reservado uma boa vida para mim, esperança de que eu ainda poderia viver sem medo, que eu ainda poderia ser livre e o melhor de tudo, de que eu ainda poderia ser mãe outra vez. Franzi o cenho mexendo rapidamente minha mão e a pousando na barriga, só de saber que já teve um bebezinho ali dentro e que poderia ser meu, mas do mesmo modo que veio a criança, tão de repente, do mesmo modo me foi tirado. Fechei os olhos me lembrando da dor que eu senti e do quanto aquilo me trouxe magoas e sofrimento que pude sentir as lágrimas se formarem ao conto dos olhos. Suspirei para recuperar o pouco de coragem, que eu ainda tinha, e então abri os olhos, me olhei mais uma vez enxugando as lágrimas insistentes que por sorte não borraram a maquiagem.

Fiz mais alguns ajustes como colocar um brinco e pulseiras. Pronto agora estou pronta. Peguei o celular, sim eu tinha um celular que era bloqueado para fazer ligações a não ser para Trace, e me assustei ao ver que já eram quase cinco horas, por quanto tempo eu fiquei no banho?
Dei mais uma espiada no espelho e logo sai.

*


Como era bom desfrutar da grande Las Vegas a noite quando você não é obrigada a satisfazer os prazeres dias pessoas, era bom estar do outro lado. Ver todas as luzes acesas a note em perfeita sintonia, como se tivessem ensaiado aquele momento por dias até encontrarem a perfeição e o barulho dos carros apresados para chegaram em casa, os murmurinhos dos casais apaixonados, o vento acariciando meu rosto, tudo aquilo me fazia falta, são coisas tão normais que eu raramente presenciava.

Eu estava parada em frente a Starbucks, decidi passar lá antes de seguir para a Torre Eiffel, entrei na fila surpresa e feliz por não estar lotado, como de costume.  Eu prestava atenção em tudo, desde o barulho do teclado da atendente até as pisadas fortes e duras de alguns homens. Rapidamente a mesma atendente sorridente me chamou.

- Boa noite senhorita, em que posso ajudar?

- Quero um Frappuccino Choco Chip, por favor – Falei olhando a moldura atrás dela.

- É a primeira vez que vem aqui em Vegas? -  Ela me perguntou exibindo um sorriso de boas vindas.

- Ah. – sorri sem graça por ter sido flagrada. – não, eu moro aqui

- Ah, me desculpe. – A mulher ficou um pouco envergonhada. – É que notei a senhorita olhando o local com bastante atenção.

- Não precisa se desculpar. – Sorri. - É que não saio muito de casa.

- Compreendo! Bom aqui está seu Frappuccino.

Mentira, ela não entendia nada do que passava. Mas não era hora para chateações.

Peguei o copo e saí andando, já estava na hora de me encontrar com Jake.  Andei mais depressa possível e cheguei num instante, o avistei  apoiando o corpo em uma perna impaciente. Ele estava tão bonito com uma blusa de malha justa preta, que realçava seus bíceps definidos, calça jeans e um tênis, que eu o havia dado de natal, com o cabelo bagunçado, mas sem perder o estilo.

Aproximei-me dele que quando me viu abriu o sorriso que eu tanto me prendia. Ele veio ao meu encontro a medida que eu me aproximava, quando ficamos bem próximos, de modo que eu sentia sua respiração na minha testa, fiquei a sua frente de modo que seus braços me envolviam com ternura e proteção.

- Amby!

- Jake!

Ele deu um passo para olhar meus olhos e ambos riram.

- Isso ficou meio cena de filme de romance – Jake começou.

Não pude conter o riso.

- Você é ridículo, posso ter meu momento de atriz? – falei fazendo uma pose.

- À vontade princesa, hoje a noite é nossa!

Joguei o cabelo para o lado, tentando disfarçar o rubor que aparecera em meu rosto, mas no instante que joguei e olhei por cima do ombro vi um homem sentado, que me chamou muita a atenção. Aquelas mãos me eram familiar. Jake colocou a mão em minha cintura enquanto prestava atenção no guia, que iria nos levar até lá em cima, e eu ainda olhava o homem de mãos familiares.

Ele tinha o corpo ereto, esfregava uma mão na outra e olhava para os lados, quando ele finalmente levantou o olhar pude ver que ele estava triste, o mesmo olhou pro céu, quando vi algo refletir a luz do luar, era uma lagrima. Eu sentia a necessidade de me soltar de Jake e ir até ele ajudá-lo, mas não poderia fazer isso. Olhei com mais atenção, quando nossos olhares se cruzaram então pude conhecê-lo.

Era Zach.

- Amberly, você ouviu o que ele falou? As regras?

- Ouvi claro. – falei desviando o olhar dos olhos verdes de Zach.

- Ótimo, vamos.

Sinto o toque da mão fria de Jake em torno de minha cintura, estremeço a esse toque. Ele me conduz a dar um passo, como em uma dança, forço-me a andar por mais que eu queira ficar aqui embaixo e ir em direção a Zach não posso.

Um suspiro de desanimo escapa por entre meus dentes.

Não demorou muito e logo estávamos vendo a silhueta das luzes ao longe e algumas próximas, mas ainda assim eram de uma distancia proporcional. Gosto do que vejo, é maravilhoso. A mão do meu namorado ainda está em minha cintura e parece que ele não tem a pretensão de tirá-la tão cedo, me sinto como um cachorro que usa coleira e não pode ir aonde quer.

De repente senti uma pontada em meu estômago, parece que ter visto aquele homem daquele jeito me deu um aperto. Mas o que eu poderia fazer? Decidi relaxar um pouco, fechei os olhos e inspirei o ar soltando-o vagarosamente, me lembrando das palavras de Jake " hoje a noite é nossa."

Continua. . . .