terça-feira, 28 de abril de 2015
Contrariados
Mais uma manha tinha chegado para tirar toda a parte preguiçosa do meu ser, mas essa parte de mim era um tanto resistente, pois estava lutando com todas as forças para que eu permanecesse ali na cama.
Virei para o lado, com os olhos fechados, mas não demorou muito para que eu cedesse. Levantei-me notando que eu me encontrava totalmente nu.
Meu corpo estremeceu por conta da manha fria, “malditas janelas abertas!” pensei. Em poucos passos entrei no banheiro do hotel, dei de cara com minha imagem no espelho. Um sorriso insano logo apareceu. Fechei os olhos por uma fração de segundos e a vi rebolando no meu pau. Que mulher! Mas apesar do sexo bom, tinha também a mulher, ela era digna de valor, não é como todas as outras prostitutas que eu já passei a noite. Ela parecia ser profissional, mas tão inexperiente com as coisas do amor, e da vida, e do sexo oposto. Apesar de ser uma mulher ela era tinha um jeito de criança, inocente e teimosa.
Pena ela ser apenas uma puta que eu meti. E além da mais ela está bem ocupada com outros caras.
Entrei no chuveiro quente e deixei a água cair. Deixei me levar pela sensação relaxante das gotas percorrendo minha nuca e descendo pela extremidade das minhas costas. Inclinei a cabeça com os olhos fechados, e tudo o que eu conseguia ver era seus lindos olhos negros, que pareciam ficar ainda mais pretos na escuridão da noite, o que a deixava totalmente sexy.
Mas aqueles olhos não me eram estranhos. Eu já tinha o visto, eu sei disso, só que não me recordo onde nem quando. Permiti-me encostar as costas na parede tentando impedir-me de me apaixonar novamente. Prometi a mim mesmo que não me apaixonaria mais, apenas brincaria com as mulheres, nada de me apegar. O que está acontecendo? Estou eu quebrando minhas próprias regras?
Aqueles olhos!! É claro! Eu me lembro. Ela é a mesma mulher da fonte dos desejos a alguns dias atrás e a mesma da Torre Eiffel. Aqueles olhos brilhantes não era algo que eu me esqueceria tão facilmente. Era ela. Mas na Torre Eiffel ela estava com um cara, e eu a ouvi chamar de "amor" várias vezes, era seu namorado. Como isso é possível? Namorar um prostituta ? A menos que ele não saiba.
Que mulher de faces, como ela pode omitir isso a ele? Vou tirar satisfação com ela.
Mas eu não posso simplesmente chegar lá e perguntar sobre a vida dela toda, como se ela fosse abrir a um estranho... E além do mais eu não sou nada dela. Merda!
Espera, eu estou me importando com uma puta?
Pov´s Amby
Mais uma longa semana tinha se passado e eu estava cada vez mais cansada e enojada daquele lugar, daquelas roupas, dos sexos, com exceção de um que todas as noites provocavam arrepios em meu corpo. Que homem! Pena que mais uma semana se passou e ele não voltou como havia prometido. EU ESTOU MESMO ACREDITANDO NA PROMESSA DE UM HOMEM? Tantos já me fizeram promessas e propostas e ele de longe é apenas mais um.
Dei mais uma checada no espelho, e ajeitei o batom vermelho que cismava de escorrer no canto da boca. Olhei mais embaixo, minha blusa preta soltinha que combinava perfeitamente com meu short jeans de dois palmos. Eu definitivamente estava pronta.
E lá vou eu para mais um trabalho. Desta vez será bem fácil, são apenas duas meninas, duas inocentes turistas.
Sai do banheiro e dei de cara com Jake, ah Jake!
- Amor? Você vai sair?
- Sim. – sorri – vou ir ao aeroporto, me parece que meu chefe quer que eu pegue algumas encomendas para ele. – de certo modo era verdade.
- Nem mesmo sábado você tem folga? Pensei em sairmos hoje. – meu coração apertou. Isso me matava
por dentro, eu não podia mentir tanto para ele.
- Podemos sair amanhã, amor? Hoje realmente preciso fazer isso.
- Tudo bem. – ele esticou os lábios numa tentativa falha de sorriso.
- Eu vou indo – me aproximei e colei meus lábios nos dele. – Eu te amo.
- Eu também te amo.
Sorri e dei mais um beijo em sua bochecha. Virei-me em direção a porta, mas ele me chamou novamente.
- Amby!
- Oi príncipe! – me virei encarando seus olhos tristes.
- Seu chefe deu uma passada aqui hoje.
Paralisei. Como assim Trace veio aqui? Já o falei milhões de vezes que não era para ele subir e sim deixar na portaria.
- O que ele queria? – falhei ao tentar esconder meu desespero.
- Ele veio te entregar isso. – Jake virou-se e pegou um envelope preto.
- Você o abriu?
- Não, mas pode me falar o que tem aí dentro?
Franzi a testa e peguei o envelope, eu tinha certeza que eram as fotos das meninas e seus dados.
- Deve ser os dados da encomenda. – forcei um sorriso.
- E por que tem que ser lacrado desse jeito?
Merda!
- Porque... porque... oras eu não sei. – olhei seus olhos confusos. – Bom, agora eu tenho que ir. O taxi já deve estar lá embaixo.
- Amor, uma ultima pergunta.
- Claro, mas tem que ser rapidinho.
- Você nunca mentiria para mim né?
Fechei os olhos e os abri olhando fixamente nos dele. tudo o que eu queria era abraçá-lo e pedir perdão por todas as mentiras e simplesmente lhe dizer a verdade, mas eu não podia, eu não conseguia.
- Claro que não, amor. – uma faca invisível me acertou em cheio. – Por que a pergunta?
- Nada não, só queria ter certeza. Agora vá, não quero te atrasar. – ele se esticou plantando um selinho em meus lábios.
Virei-me para a porta, a abri e sai. Lagrimas se formaram no meu rosto, como eu sou tão idiota e estúpida.
Desci as escadas e o carro de Trace estava parado em frente ao prédio.
Andei em direção ao carro e entrei.
- Aí está a minha menina!
- Oi Trace.
- Nossa, que cara é essa? Você está chorando?
- Talvez. – falei me encolhendo.
- O que houve?
Olhei em seus olhos. – Você realmente acha que é fácil para mim? Ter uma vida dupla, mentir para a única pessoa que me apóia de verdade e ter que dar para homens todos os dias?
- Hey, calma aí mocinha! – ele pegou seus óculos escuros e pôs.
- Esquece você não entende.
- Amberly, prometo que logo isso vai ter um fim. Você não terá que mentir mais.
- E como você pretende isso?
- Eu sou quem sou e você ainda não acredita em mim?
Revirei os olhos.
- Agora me fale o que terei que fazer hoje?
- Seduzirá duas meninas com seu jeitinho, os nomes delas estão no envelope que seu namorado te entregou!
- Ok! E por falar nisso, não suba mais lá em casa, a gente já combinou isso.
- Não tenho culpa se Jake desconfia de você. – ele deu de ombros.
Que homem insuportável e insensível.
- Apenas não suba mais. – falei entre dentes.
- Como quiser senhorita irritadinha.
- Não me faça te dar um tapa na cara Trace, já estou nos limites com você e esta situação toda.
- Faça isso que você já sabe muito bem o que vai acontecer. – ele falou serio, tirando os óculos e olhando em meus olhos.
Fechei os olhos, mais lágrimas queriam sair, mas eu as impedi bem a tempo.
O carro parou. Bom mais uma vez lá vou eu.
Continua....
domingo, 22 de março de 2015
Perdendo o sentido
As pessoas falam que quando estamos apaixonados sentimos
aquelas famosas “borboletas no estomago”, mas no meu caso acho que as
borboletas vieram parar na garganta, pois eu não conseguia falar nada. Era como
se parte de mim estivesse num transe inconsciente. Meus olhos estavam fixos no
belo par de olhos castanhos do homem sedutor a minha frente.
- Amby? – a voz de Trace soou vindo do meu lado direito, o
que me deu um susto e um pouco de raiva, pois não queria parar de olhá-lo.
- Sim. – eu disse mudando o foco para Trace parado ao meu
lado sem entender o espanto.
- Você o conhece?
Eu não podia simplesmente falar a Trace que eu o conhecia e
que poderia estar me sentindo, talvez, desconfortavelmente atraída por ele. Até
mesmo porque eu sabendo como era ele e como funcionava tudo isso, Trace iria
falar que eu não poderia fazer o programa com Dustin pelo fato de não criar
laços afetivos.
- Não, claro que não. – menti franzindo a testa olhando
diretamente em seus olhos acinzentados curiosos.
Pude sentir um olhar interrogativo vindo da direção do meu cliente
ali parado a minha frente, mas não ousei desviar o olhar, não queria que minha
pequena mentira falhasse.
- Ótimo, agora vá querida, cada minuto é dinheiro que eu perco.
– Ele sorriu para mim.
- Certo. – estiquei os lábios.
Voltei o olhar para meu cliente charmoso e cheiroso.
- Vamos?
Ele apenas assentiu, parecia ele um tanto assustado. Também ficaria
se descobrisse que eu era o que era.
Uma decepção me tomou conta, mas a espantei,
não queria que nada me atrapalhasse porque pela primeira
vez eu ia fazer um
sexo prazeroso, se bobear o melhor que já fiz.
Estiquei a mão para Dustin que por sua vez a pegou com
gentileza demonstrando sutilmente um pouco de avareza. Passamos por algumas pessoas, até por Melanie
que estava no palco hoje rebolando e descendo até o chão. Olhei de soslaio para
Dustin que mantinha o olhar permanente na minha nuca.
Finalmente chegamos aos corredores dos quartos, que estavam
bem silenciosos. Estávamos andando pelo corredor, perto do numero que meu cliente
tinha preso em sua regata, senti um movimento no meu braço, o que me fez girar
e fitar seus olhos sedentos. Sorri maliciosamente, enquanto seus olhos se
fixavam na minha boca.
- Você quer me beijar?
- Você não faz idéia.
Dei de ombros e ele entendeu a deixa. Seus lábios tocaram os
meus. Todo meu corpo se energizou. Sua boca era macia e sua língua calmamente procurava
a minha. Minhas mãos estavam envoltas em seu pescoço e as dele na minha
cintura.
- Vamos para o quarto. – falei em meios aos beijos.
Quando fui me afastar para irmos ao quarto ele me pressionou
mais forte contra seu corpo e apalpando minha bunda para me pegar no colo. Fiquei
surpresa, nunca fizeram isso comigo, mas estou gostando. Abri a perna
enroscando-a em sua cintura. Suas mãos grossas ainda estavam em minha bunda,
mas seus lábios agora estavam em meu pescoço e a medida que nos aproximávamos do
quarto ele foi intensificando seus beijos e mordiscando meu pescoço. “Que sensação
gostosa!” exclamei comigo mesma.
Dustin empurrou a porta do quarto, que estava destrancada, fechando-a
com o calcanhar. Eu ainda estava no seu colo, com meu corpo tensionado e
gritando por ele. Foi quando ele me colocou gentilmente na cama, analisando
toda a extensão do meu corpo. Aquilo me deixava com mais vontade que tudo. Mordi
o lábio inferior, chamando sua atenção para minha boca, olhei em seus olhos e
vi que ele estava do mesmo modo que eu.
Meu cliente não perdeu tempo e veio para cima de mim, senti
seu corpo colar ao meu, meus sentidos se perderam nesse momento. Eu já não tinha
mais noção de que eu estava trabalhando.
Ele tirou minha blusa enquanto seus lábios beijavam meu
pescoço me deixando cada vez mais excitada, eu arranhava suas costas levemente
por cima do pano fino de sua regata. Deixando-me sem blusa, ou melhor, top.
Dustin desceu os beijos pelo meu colo, deixando um rastro molhado com sua língua,
aquilo era de dar arrepio, com uma mão ele trilhava um caminho começando da
minha barriga chegando até meu seio esquerdo, onde ele o agarrou, apertando-o,
com tamanha precisão. Minha respiração já estava um tanto ritmada, minha
barriga subia e descia a cada toque dele. Um sorriso de pura malicia lhe escapou pelos lábios,
sem delongas, meu cliente abocanhou o outro. Foi ai que fiquei louca de excitação
por aquele homem.
Em todas as minhas transas quem controlava tudo era sempre
eu, mas desta vez Dustin está controlando toda a situação, eu estou apenas o
acompanhando, como se fosse uma dança em que nossos corpos se conectavam de
forma exuberante.
Tudo o que eu conseguia me concentrar era naquele par de mãos
vagando por todo meu corpo. A essa altura eu estava completamente nua e ele
apenas de Box. Definitivamente aquele homem era um deus grego, pois suas feições
eram perfeitas. Seu abdômen não era definido exageradamente, mas de forma
sensual, seus braços eram musculosos o suficiente para me pegar com força.
Enquanto sua boca mais uma vez avançava por meu corpo, eu
mantinha os olhos fechados para sentir cada
movimento da sua língua sob a pele
desnuda da minha barriga e descendo passando por minha virilha parando na minha
vagina. Quanto mais ele a chupava mais eu me contorcia. Não demorou muito para
que eu gozasse pela primeira vez. Eu me
contorcia, não conseguia mais conter o tesão por todo meu corpo. Eu precisava
daquele homem dentro de mim imediatamente. Gemi o mais forte que pude, falando
seu nome. Ele entendeu minha suplica e imediatamente lançou sua Box por cima de
sua cabeça, finalmente me penetrando.
Ele começou de vagar, e a cada estocada
que ele me dava gemia baixo, depois ele foi aumentando a pressão e neste
instante eu já estava gritando.
Não demorou muito para ele gozar, quando aconteceu ele
deitou ao meu lado, passando a mão pela minha barriga suja com seu gozo.
- Vem, vamos limpar isso. – disse ele se levantando,
totalmente e completamente nu, mas ele agia como se
isso fosse normal. Eu ri
dele. – De que você ta rindo?
- De você.
- De mim? – ele arqueou uma sobrancelha, virando para mim.
Eu ainda estava deitada na cama e ele a minha frente.
- Sim, o jeito como você está me tratando. É só algo novo
para mim.
- E como eu deveria te tratar?
- Não sei – dei de ombros.
Ele riu.
- Agora venha baby, vamos tirar essa coisa da sua barriga. –
ele me pegou no colo, como um casal quando
acaba de se casar.
“Baby” meu coração acelerou ao ouvir aquele apelido. O que
estava acontecendo comigo? Era só mais um cliente.
Ele me soltou com delicadeza a sua frente, para que eu
abrisse a porta. Adentramos no pequeno banheiro da suíte, ele me virou para
olhar em meus olhos.
- Você não precisa disso, sabe né? – ele disse com toda
sinceridade.
- É mais complicado do que você imagina.
- Pode ser, mas de uma coisa tenho certeza. Você não é
feliz, não com essa vida.
- Virou psicólogo agora? – me virei e entrei no chuveiro. O liguei
e comecei a me molhar, enquanto ele só
me olhava. Depois de alguns segundos o
mesmo deu alguns passos e entrou no chuveiro junto comigo. – O que você está fazendo aqui?
- Se não quiser é só falar não. – ele beijou meu pescoço,
fechei os olhos e lembrei-me que ele era um cliente e aquilo não estava incluso.
- Para Dustin, isso não está incluso. - minha boca falava não, mas meu corpo implorava para que ele permanecesse ali.
Ele engoliu a seco e saiu, indo para o quarto.
Tudo o que eu queria era socar a parede. Por que ele está
fazendo essa revira volta na minha vida? Que merda! Ele não tem permissão pra isso.
Já tenho problemas demais e tenho Jake, que querendo ou não,
ainda é meu namorado. Respirei fundo e sai da ducha, enrolei-me na toalha e fui
para o quarto.
O quarto estava vazio. Aquilo me deu um arrepio negativo,
olhei para a cama e vi um pedaço de papel. Era uma pequena carta.
“ Amberly, você faz amor como ninguém, algo naquele sexo me
viciou, talvez você tenha me dado algum tipo de droga, não sei, mas sei que
irei querer mais.
Dustin.”
*************************************
Continuaaa.....
sexta-feira, 6 de março de 2015
Vontades
Havia pessoas que estavam visivelmente atordoados, outros queriam preencher o vazio com bebidas e sexo, alguns queriam o dinheiro que estava exposto no canto de cada mesa pôquer. Eu já estou pronta para entrar em ação e começar a procurar Trace.
Com os olhos atentos a cada pista que eu pudesse ter de onde estaria meu chefe. Andei pelo saguão em direção a uma mesa de apostas na ala sete, apoiei-me na mesma deixando quase metade dos meus seios a mostra. Um homem de cabelo loiro e olhos azuis não paravam de me olhar, se eu fosse inocente nunca desconfiaria no que aqueles olhos azuis queriam dizer.
- Boa noite, cavalheiros! - falei assumindo um tom totalmente profissional e sexy.
- Boa noite gracinha. - disse um homem mais velho, devia ter seus quarenta anos.
Sorri em resposta.
- Vocês por acaso viram o Trace? O dono disso tudo? - Os olhos do loiro a minha esquerda não perdiam nenhum movimento meu.
O vi se remexer na cadeira para tentar dispersar sua ereção, o que já estava bem visível. Evitei olhar para baixo da mesa e foquei bem seus olhos azuis.
- Tá nervoso querido? - falei me inclinando ainda mais na mesa, por um momento pensei que meu top fosse rasgar.
- Por que a pergunta docinho? - falou ele inclinando para mais perto de mim, eu podia sentir sua respiração quente e quase ofegante.
- Ótimo. - sorri me afastando. - Mas voltando, vocês viram Trace?
- Sim, ele estava conversando com um homem alto de cabelo meio loiro e meio castanho.
- Obrigada Cavalheiros.
- Espere. - Falou o mesmo homem de olhos azuis.
- Sim?
- Quanto você cobra para ser minha por uma noite?
- Converse com Trace, e então ele dirá meu valor.
Saí um pouco confiante demais, com um sorriso sedutor inabalável no rosto. Alguns homens bêbados agarraram meu pulso, mas nada com que eu já não estivesse acostumada. Continuei meu caminho atrás de Trace, mas parei quando o vi entrar. Ele era alto, com olhos brilhantes e castanhos, vestia uma regata branca com uma jaqueta de couro por cima e jeans. Sorri ao vê-lo. Nunca esqueceria aqueles olhos com tanta facilidade.
Droga! O que ele está fazendo aqui? Ai que pergunta imbecil, ele é homem e homens gostam de sexo e apostas. Mas ele não pode me ver assim. Merda, merda, merda. Espere eu estou mesmo preocupada com o que ele vai achar quando me vir? Já saí com tantos caras que já perdi a conta e ele é apenas mais um em busca de prazer sexual. E além do mais, eu tenho namorado.
Continuei andando como se não o tivesse visto, mas era inevitável olhar a cada oportunidade. Olhei ao meu redor e finalmente encontrei os cabelos grisalhos que eu procurava, era Trace.
Ele era um tanto charmoso e elegante para um coroa. Com cabelos grisalhos fazendo um montinho no topo de sua cabeça, um sorriso largo que exibia uma pequena covinha do lado esquerdo do rosto, mostrando dentes perfeitos brancos. Seus olhos eram cinza e exuberantes. Se eu não o conhecesse tão bem, poderia até afirmar que seria um perfeito homem para apenas uma mulher e ser amado por ela um dia.
Trace estava conversando com um velho, me suponho que seja negócio de trabalho. Aproximei-me e sem hesitar passei meus braços finos e longos pelo pescoço do coroa charmoso que estava sentado. Ele me olhou curioso.
- Aí está você minha querida. – sua voz era um tanto grave e rouca, o que complementava charme.
Sorri olhando seus olhos cinza.
- Oi Trace. – falei sentando em seu colo. – Quero falar com você.
- Também preciso falar com você menina. – Ele olhou para o velho a sua frente que estava mudo como um morto. – Se você me dá licença, tenho que resolver uma questão.
Ele acenou com a cabeça em resposta. Coloquei-me de pé e Trace o mesmo fez. Ergui o olhar e o vi novamente, só que dessa vez seus olhos encontravam os meus como a vez que fui para a Torre Eiffel com Jake, meu cérebro vacilou. De repente esqueci-me de tudo e me envolvi naqueles olhos expressivos e brilhantes. Quando me dei conta de que ele estava vindo em minha direção. Senti meus músculos ficarem rígidos e uma tensão formar na parte inferior do meu corpo. Ele mudou a direção do olhar para Trace, o que me fez ficar mais nervosa ainda.
- Olá senhor. – falou ele perto o bastante para eu sentir seu perfume doce. Fechei os olhos gravando aquele cheiro e pensando em mil jeitos de como ser consumida por aquela fragrância, e devo assumir que meus jeitos eram totalmente insanos.
- Olá rapaz. – falou Trace olhando-o de cima a baixo.
- Me pediram para vir falar com você. Trata-se das meninas.
- Ok. – os olhos de Trace se acenderam. – Amberly, querida, espere ali que já conversamos.
Assenti e sai.
Droga! Ele queria ficar com uma das garotas essa noite. Uma pontada me pegou de surpresa fazendo-me apoiar no balcão de bebidas. Carry trabalhava no bar e dava um duro, principalmente para tentar explicar aos homens do lugar que ela não era uma puta. Observei-a pegar as bebidas e acertá-las nos copos todos ao mesmo tempo sem desperdiçar nada, ela era boa nisso.
- Oi gata. – Carry disse aproximando de mim.
- Oi. – falei sem entusiasmo.
- Que gato é aquele conversando com nosso chefinho? – ela ergueu o queixo em direção a Dustin enquanto
esfregava o copo com um pedaço de pano considerável branco.
- Um homem qualquer. – dei de ombros.
- Pode ser, mas ele é gostoso. Nesses momentos que eu acho vocês um tanto sortudas por poderem pegar um deus grego desse.
Aquilo me deu nos nervos, como ela estava falando dele assim? Na minha frente?
- É.
- Você ta bem? – ela analisou meu rosto sério e sem humor. – Como dizia meu poeta favorito, Vinicius de
Moraes, “O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado.” Pegue um uísque por conta da casa. – sem me dar tempo de responder ela saiu de perto, pegando uma dose de uísque e entregando-a mim. – Tome e divirta-se.
- Obrigada. – falei pegando o pequeno copo que se acomodava na almofada da minha mão e o levei à boca. Tinha um gosto amargo, mas era bom.
- Olha quem está vindo Amberly. – Carry disse e saiu de perto.
Virei-me e vi Trace vindo em minha direção.
- Oi minha menina.
- Trace.
- Acho que nossa conversa vai ter que ficar para mais tarde, pois o jovem ali mostrou bastante interesse em você. – meu coração acelerou. – E ele quer passar uma hora com você.
- Comigo? – não me preocupei em esconder meu entusiasmo.
- Sim. Agora vá lá e me faça lucrar. – assenti passando por seu lado, onde ele deu um tapinha de “boa sorte” na minha bunda.
Retomei o ar e fui até meu cliente. E pela primeira vez na minha vida, pude sentir o que todos sentiam quando faziam sexo. Aquela conexão de corpos, atração física, vontade e um sentimento que pode ser denominado como paixão.
sábado, 3 de janeiro de 2015
Medo
Calei-me completamente, apenas a observando. Na verdade eu ainda estava digerindo suas palavras e tentando compreender o motivo de tanta raiva. Seus olhos minutos atrás exalavam desespero, mas os evitei. Eu estava de costas para Melane, mas ainda era possível sentir seus olhos me envolverem. Enquanto eu trocava minhas roupas casuais por uma saia de dois palmos e um top, vi um vulto correndo passando para o banheiro. Rapidamente virei à cabeça, "o que estaria acontecendo?" Por mais que eu não quisesse me intrometer, eu ainda me importava com essas meninas. Joguei a toalha no chão e corri ao lugar onde ela entrou, cheguei à porta e a vi de joelhos debruçada na privada.
- MELANE, MEU DEUS! – eu falei assustada. Virei para pegar
mais papel e dirigi-me a ela ficando em sua altura. – Pegue.
- Não preciso da sua ajuda, saí daqui! – ela falou
desesperada, mas havia mais medo do que qualquer outra coisa.
- Para de ser tão orgulhosa garota! Só quero te ajudar.
Ela me olhou com os olhos envergonhados aceitando o papel
que eu ainda segurava, depois de limpar seus lábios e o queixo ela sentou-se no
chão olhando o vácuo entre nós. Então seus olhos falaram por si só, em um
instante todo seu rosto estava inundado por lagrimas continuas e quentes.
Franzi o cenho tentando compreender o que estava
acontecendo, e como um flash de luz me veio à tona o que realmente ocorrera.
- Você está grávida! – minha voz estava mais baixa que o
normal. Eu não podia acreditar em tal situação.
Ela simplesmente me fitou em meio as lagrimas, quando eu
olhei em seus olhos ela franziu os lábios e chorou mais ainda. Ela não
precisava responder para se saber que de fato era essa a verdade. Passei meus
braços em seus ombros, que subiam e desciam conforme sua respiração, trazendo-a
para mais perto de mim.
E mais uma vez meu trabalho vai começar, é melhor eu entrar no personagem antes que eu estrague tudo.
Continua... Espero que gostem *---*
domingo, 23 de novembro de 2014
Jake
À
medida que a noite caía Jake sendo um perfeito cavalheiro tudo estava
agradável e romântico. Ele tinha a mão pousada, agora, em meu ombro apontando
as estrelas com a outra mão. Podia ouvir sua voz, mas ao mesmo tempo não o
compreendia. Na verdade só ouvi a seguinte frase: " nenhuma delas se
compara a você", Jake era fofo na maior parte do tempo.
*****
Já eram quase sete da manhã quando senti um vento forte beijar meu rosto, não foi muito, mas o suficiente para me despertar. Virei-me e vi Jake ainda adormecido, na verdade parecia um gatinho dormindo de tão fofo. Suspirei piscando os olhos algumas vezes antes de levantar. Arrastei-me ate o banheiro indo direto para o chuveiro, meu corpo se sentiu desconfortável com o toque gelado da água fazendo o mesmo ter um calafrio involuntariamente.
Não
demorou muito para eu despertar e sair do banheiro, eu ja estava enrolada na
toalha de frente para a cômoda, quando senti uma pressão na parte de trás do
meu corpo, tinha um par de mãos envoltas á minha cintura e o cheiro de loção de
barbear foi de encontro com meu nariz. Não me preocupei, pois sabia quem era.
- Preciso dormir aqui mais vezes. - sua voz falhada e sexy.
- Ah
é e por quê? - me virei para ele.
-
Voltar para o quarto e ver você desse jeito, - ele me olhou de cima a baixo-
realmente vale a pena.
Meus
lábios se curvaram formando um sorriso malicioso, o que provavelmente despertou
mais abruptamente sua atenção em mim. O espaço que nos separava já não existia
mais, seu corpo estava rígido sob o meu eu estava respirando o mesmo ar de
Jake. Nossos olhos se encontraram por tempo suficiente para eu entender sua
mensagem, que mais parecia um código. Suas mãos passavam por minhas
costas, enquanto uma subia parando em minha nuca a outra tomava o sentido oposto
parando exatamente um palmo da minha bunda. Pude sentir uma energia subir em
minha espinha. Suspirei.
-
Jake!? - minha voz falhara. - Preciso ir!
- Fica
mais um pouco.
- Não
posso, tenho que trabalhar.
- Eu te
levo depois Amby.
- NÃO!
- minha voz soou mais nervosa que eu desejava. - quero dizer, não vou te incomodar
por algo que posso fazer eu mesma.
Sem
mais delongas eu me virei, mas o senti segurar meu cotovelo e me girar.
Lançando um beijo demorado em meus lábios.
- Agora
sim, bom trabalho amor.
Sorri e
sai.
A rua
estava bem movimentada, mas não demorou muito e peguei o ônibus. Me acomodei
relaxando meus músculos ainda energizados e joguei a cabeça para trás, foi
quando meus pensamentos vieram sem ao menos me pedir licença, "NÃO É JUSTO
COM JAKE" era só isso que me vinha, eu sabia que não era, mas não ter Jake
significa não ter mais nada e muito menos uma idéia de família. Depois da morte
da minha mãe eu me achei perdida dentro de mim mesma, e pior eu estava com um
vazio horrível em meu peito. Ela era a única que sempre estivera ao meu lado e
que jamais me julgaria. Se ao menos eu pudesse achar onde ela fora enterrada,
acho que poderia me desculpar e então liberar sua alma ou simplesmente me
livrar de uma porcentagem da culpa, por mais pequena que fosse. Uma bruta
freada me tirou de meus pensamentos bem a tempo de uma lágrima escorrer em meu
rosto.
Finalmente
cheguei a Fênix, as portas estavam abertas, e parecia movimentado demais para o
inicio do dia, cheguei mais perto do salão, onde tinha os shows noturnos,
encontrando Trace e um engravatado de expressão dura conversando. Ele me viu e
piscou para mim, eu apenas estiquei os lábios e ele então voltou a sua
conversa. Observei mais um pouco me encostando-se ao balcão.
- Não
creio que se o chefe a visse prestando atenção em sua conversa ficaria
contente. - a voz de Chad soou na parte de trás dos meus ouvidos, o que me fez
pular de susto.
Me
virei para encará-lo.
- Até
onde eu me lembro deixei claro que queria você longe de mim. - falei de forma áspera.
- Você
me respeite garota ainda sou seu supervisor. Agora vá se trocar e colocar esse
corpo a mostra.
Revirei
os olhos, odiava quando Chad queria fazer o papel que não é dele. Mas me virei
e fui para o camarim. Não queria uma cena agora cedo.
Abri a
porta e vi uma menina sentada segurando a barriga, ela havia sido mandada para
cá duas semanas depois que eu. Qual era mesmo seu nome? Milena? Mirela? Melane?
Isso, Melane.
- Está
tudo bem? – me aproximei.
.
- Sim
estou bem. – ela forçou um sorriso.
Uma das
coisas boas que eu aprendi aqui dentro era saber quando alguém tivesse mentindo
e de fato esta garota estava.
- Melane,
certo?
Ela
assentiu me olhando.
- O que
realmente está acontecendo? Talvez eu possa te ajudar.
- Você?
A queridinha de Trace? Corta essa Amberly.
Que
droga! Por que vivem me lembrando sobre a adoração de Trace por mim?
- Tenho
motivos para não lhe ajudar? – perguntei controlando-me.
- Não
sei. Diga-me você.
-
Vamos, deixe-me ajudar você.
- Não
confio em você.
Meu corpo
ficou pesado. Era por isso que as outras
garotas não falavam comigo? Por eu ser a protegida de Trace e não elas? Por que
mesmo ele havia me escolhido?
Suspirei
olhando fixamente em seus olhos, que eram negros e pareciam pegar fogo. Ela
desviou o olhar pegando uma garrafa de vinho barato colando a boca no bico
virando-a para cima, dando um gole em tanto.
“não se
pode ser boa com quem não quer ajuda” minha consciência tentava me confortar.
Assinar:
Postagens (Atom)



